Peregrinação do Sagrado Feminino
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Peregrinação do Sagrado Feminino

Fátima · Nascente do Rio Lis · Coimbra

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Peregrinação do Sagrado Femenino Fátima · Nascente do Rio Lis · Coimbra

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Há viagens que se planeiam e há viagens que nos chamam. Esta foi das segundas.

Não foi um roteiro turístico. Foi uma peregrinação interior, um percurso em três lugares para recolher e integrar a energia do feminino sagrado — a de Mãe Maria, em Fátima e na nascente do rio Lis, e a da Rainha Santa Isabel, em Coimbra.

Parte I — Fátima: o colo da Mãe

Em Fátima, o silêncio é uma presença. Por entre a grandeza do Santuário, o que me tocou foi a simplicidade: a Capelinha das Aparições, pequena e luminosa, onde tudo começou em 1917.

Ali, não pedi nada. Escutei. A energia de Mãe Maria não é uma devoção distante: é colo, acolhimento, a certeza silenciosa de que podemos descansar. Senti-a como água mansa — e foi essa a imagem que me acompanhou para o lugar seguinte.

Parte II — A nascente do Rio Lis: a água que nasce

Poucos sabem que o rio Lis nasce em Anços, pertinho de Leiria, no território que viu nascer o culto mariano da região. As nascentes são úteros da paisagem: a água que brota da terra, pura, antes de se tornar caminho.

Aí, junto à fonte, a minha intenção era recolher: deixar que a água me ensinasse a fluir, a confiar, a não forçar. O feminino que não grita, mas que tudo fecunda. Bebi da fonte, toquei a terra húmida e agradeci às mulheres que, ao longo dos séculos, ali vieram rezar, lavar, cantar e curar.

Parte III — Coimbra: a Rainha que serviu

O último passo foi Coimbra, cidade de Santa Isabel de Aragão — a Rainha Santa. No Mosteiro de Santa Clara-a-Nova repousa o seu corpo incorrupto, mas o que me trouxe ali não foi o milagre: foi o exemplo.

Isabel foi rainha e escolheu servir. Vestiu a humildade como quem veste a coroa. No episódio lendário do Milagre das Rosas, o pão para os pobres transforma-se em flores: o poder que se converte em cuidado. Que energia feminina é esta que lidera sem esmagar, que dá sem se esvaziar, que é forte precisamente porque é amorosa?

Diante do seu túmulo, a integração fez-se: a Mãe que acolhe, a Água que flui, a Rainha que serve. Três faces do mesmo feminino sagrado que habita em todas nós — e que esta viagem me devolveu ao corpo, ao coração e à consciência.

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Esta não é uma proposta comercial nem um roteiro para vender. É uma partilha pessoal, de alma para alma, de uma viajante que acredita que os lugares nos curam quando os visitamos com o coração aberto.

Se um dia quiseres caminhar comigo por estas geografias do invisível — em presença ou em espírito — sabes onde me encontrar.

Fernanda Guerreiro

Memórias em movimento desta peregrinação

Nascente do Rio Lis — a água que nasce